O Lajedo dos Beija-Flores está localizado entre dois biomas: a Mata Atlântica e a Caatinga. O ambiente de transição entre esses dois biomas é conhecido como Mata de Cipó, que guarda uma importante variedade de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.
Em um raio de menos de 10 Km, biomas tão distintos como a Mata Atlântica e a Caatinga se encontram na incrível e ainda pouco estudada Mata de Cipó.
E no coração de tudo isso está o Lajedo dos Beija-flores.
Ainda pouco estudada, essa vegetação única é a transição entre os biomas da Mata Atlântica e a Caatinga numa pequena faixa que se estende desde o município de Brejões na Bahia até o norte de Minas. Apresenta um sub-bosque denso, composto, como o próprio nome sugere, de grande quantidade de cipós. O chão é forrado por grandes bromélias terrestres, além de reunir elementos de ambos os biomas.
Destaca-se a ocorrência de algumas espécies endêmicas como o Gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus), ave que se tornou símbolo dos esforços de conservação dessa vegetação. Boa parte da mata de cipó foi destruída para implantação da pecuária no século passado, e atualmente os melhores trechos desse ambiente se encontram exatamente em Boa Nova. Este é o tipo de vegetação que circunda a parte leste do Lajedo dos Beija-flores e, apesar de não ser considerado um bioma, as particularidades e elementos únicos dão à mata de cipó um status de grande relevância em termos de biodiversidade. Um grande esforço para a sua proteção deve ser implementado, a fim de proteger um dos ambientes mais complexos e enigmáticos do país.
É um bioma exclusivamente brasileiro. De origem Tupi-guarani, o nome significa “mata branca”, uma referência ao aspecto da vegetação durante a estação seca. Cobre cerca de 10% do território brasileiro e está presente em todos os estados do nordeste e também em Minas Gerais.
Características peculiares desse bioma são o clima semiárido, altas temperaturas, com baixa pluviosidade e chuvas irregulares e concentradas em determinados períodos.
Apesar disso, a Caatinga possui mais de 3.400 espécies de plantas já descritas, com destaque para as cactáceas, como a cabeça ou coroa-de-frade (Melanocactus ernestii), um dos grandes atrativos para os beija-flores do lajedo. Quanto aos animais só entre peixes, aves, anfíbios, répteis e mamíferos são cerca de 1.000 espécies, das quais quase 200 são endêmicas e 182 estão ameaçadas de extinção. Nesse bioma, vive o povo sertanejo, que aprendeu a conviver com um ambiente aparentemente hostil, mas acolhedor para aqueles que sabem admirar sua beleza.
Em Boa Nova, predomina a caatinga arbórea e a arbustiva situadas no trecho oeste do município. O Lajedo dos Beija-flores sofre forte influência desse bioma tanto pela fauna quanto pela flora do lugar.
Presente em 17 estados brasileiros (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande Sul), a Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do planeta, estimando-se que restam apenas cerca de 18% da mata original. Caracterizada por clima tropical úmido, com altas temperaturas e chuvas abundantes, a Mata Atlântica em toda sua extensão apresenta uma extraordinária riqueza biológica.
Ela abriga, por exemplo, cerca de 2.200 espécies de vertebrados e 20.000 espécies de plantas. No grupo das aves, 200 espécies são endêmicas. Além de toda essa biodiversidade, a maior parte da população brasileira vive na Mata da Atlântica e depende dos inúmeros serviços ecossistêmicos que ela produz, como, por exemplo, a água. Seus riachos, rios e nascentes abastecem 3.429 municípios onde vive uma população de mais 145 milhões de pessoas.
Boa Nova é um desses municípios e abriga em seu território áreas montanhosas compostas por florestas de rara beleza. A variação de altitude, que pode ir de 600 a 1120 metros acima do nível do mar, confere um gradiente com alta diversidade de fauna e flora, e este relevo íngreme propicia ainda a formação de inúmeras cachoeiras.
A vegetação é do tipo ombrófila densa, submontana ou montana, rica em orquídeas, musgos, liquens e árvores de grande porte. Destaca-se a existência de espécies típicas do bioma como a quaresmeira, o palmito-juçara, além de elementos raros da fauna.
Algumas espécies de aves foram descobertas pela ciência nesse ambiente, a exemplo do joão-baiano (Synallaxis cinerea), do borboletinha-baiana (Phylloscartes beckeri) e do tapaculo-baiano-preto (Scytalopus gonzagai), os quais colocaram Boa Nova como uma das áreas mais importantes para conservação das aves no Brasil.